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Bur Dubai – Longe dos Arranha Céus

Longe dos arranha-céus e da euforia luxuosa, há um bairro histórico na parte ocidental do Dubai anexada a um canal onde decorre a movida mercantil da cidade, quer em cargueiros atracados com as mais diversas mercadorias quer nos souks, plantados nas margens onde os tecidos coloridos e o aroma a especiarias deleitam sentidos e carteiras turísticas.

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No Bur Dubai vive uma grande comunidade de emigrantes indianos, paquistaneses, iranianos, afegãos, que mobilaram todo o bairro com versões importadas do seu comércio tradicional, tornando esta zona uma das mais ricas em diversidade cultural e uma das minhas preferidas para deambular o corpo e o espírito.

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Pelas ruas sente-se o cheiro de caril dos vários restaurantes indianos ou de carne grelhada no espeto, pronta a ser devorada em formato kebab ou num pão de pita. Há também o aroma a especiarias vendidas avulso pelas várias mercearias, que bamboleia pelas ruas de mão dada com o cheiro a roupa lavada, vindo das lavandarias que preparam trouxas para posterior entrega ao domicilio.

Os talhos apresentam uma seleção de partes animais virada para os membros e para as miudezas. No final do dia alguns gatos espreitam à porta, na esperança que a caridade humana lhes ceda alimento para enganar um estômago e um olhar vazios.

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Táxis apitam por todo o lado. Uns enfurecidos com o tráfego outros apitam para os transeuntes, uma forma prática e “delicada” de os inquirir acerca do usufruto do serviço, maioritariamente caracterizado por um sentido de orientação duvidoso e uma experiência “pára-arranca” digna de puxar o enjoo e posterior vómito. Há também um grande movimento de bicicletas, não só por motivos de lazer mas também profissionais – muitas mercearias e lojas de conveniência fazem entrega ao domicílio e os “condutores” de duas rodas preferem, maioritariamente, circular no passeio, contribuindo para um decréscimo significativo da minha segurança como pedestre deambulatório.

Um dos ramos do comércio que mais me apraz observar são os salões de cabeleireiro para cavalheiros, decorados com néon coloridos e fotografias de cavalheiros ocidentais e orientais com os mais diversos e peculiares cortes de cabelo. Estão abertos até às 23h e são altos centros de socialização a avaliar pelas expressões, ora alegres ora exaltadas, que observo do lado de fora da vitrine. Os barbeiros, de tesoura em riste, parecem exercer um certo multifacetismo – não só são responsáveis pelo estilo capilar dos clientes como também os ouvem, talvez lhes sirvam de conselheiros também, com alguma palavra de consolação ou o arrancar de uma gargalhada com a piada do dia, enquanto o cabelo cai no chão.

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Encontrei também um clube de vídeo quase exclusivamente dedicado à cinematografia bollywoodesca, digo quase porque também tinha algumas opções ocidentais bastante antigas, onde usufrui nostálgica e orgulhosamente uma “coleção de aventureiro” do Indiana Jones com os 3 filmes que lhe fizeram história.

Há uma tascairaniana na rua principal. Há pão árabe e vegetais com molho de iogurte fresco e pepino para entrada, sopa de lentilhas com galinha e limão e uma variedade de diferentes e deliciosos kebabs, que fazem deste sítio um dos restaurantes mais antigos e conhecidos do Dubai. Para acabar em grande chá árabe com menta e um sorriso na despedida com o carimbo de “voltem sempre.” Inshallah!

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Maria Bonifácio Lopes

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