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Cantos Lusos pelo mundo – Alma 560 Café

Abrir um negócio Português no Dubai

Crónica publicada no P3

Natacha Matos chegou ao Dubai em 2004. Movida pela curiosidade por um país, na altura considerado um tabu, e pela vontade de desbravar o mundo, abraçou a profissão de assistente de bordo, mantendo-se fiel aos seus sonhos: “sempre quis abrir um espaço português”. Volvidos 12 anos, é graças a si e à equipa do Alma 560 que a comunidade portuguesa no Dubai mata saudades dos pastéis de nata, rissóis, caldo-verde, entre outras iguarias que se encontram neste oásis luso localizado no Gold & Diamond Park, Sheik Zayed Road – a mais longa “avenida” do Dubai.

Alma” porque todo o projecto se relaciona e espelha a alma portuguesa; “560” porque é o código de barras de Portugal – tudo o que é 100% português tem este código. Assim nasceu o Alma 560 – duas coisas 100% portuguesas.

Concretizar este projeto não foi fácil. O custo de abrir um espaço pequeno, como o Alma, no Dubai equivale ao necessário para abrir um restaurante em Portugal ou noutro país Europeu. O conceito ou marca têm que estar muito bem estabelecidos no estrangeiro – no Dubai impera o franchising em detrimento do enterpreunership. Há também imensas regras impostas que variam consoante a entidade que arrenda. Neste caso, o nível de exigência foi alto em todos os parâmetros, desde os materiais de construção do espaço às matérias-primas usadas na confecção alimentar.

A gestão de fornecedores é outro desafio. Todos os produtos são importados e a sua disponibilidade pode sofrer oscilações ou deixar de existir. “Há fornecedores para cada tipo de produto, o que se traduz em cerca de 40 fornecedores para um espaço pequeno como este. A maior dificuldade é coordenar todos e manter um standard nas matérias-primas e no produto final” diz Natacha. “Por exemplo, agora não há fiambre de bife, então todos os produtos com este ingrediente têm que ser adaptados. Faz falta uma Makro como há em Portugal.”

Contra todas estas marés, o Alma veio para ficar. Com um conceito à parte do Dubai posh e luxuoso, este canto proporciona o ambiente descontraído dos cafés de bairro onde se pode dedilhar o Diário de Notícias enquanto se ouve um faducho. Há paredes caiadas, um cheirinho a café e pastéis de nata a sair do forno, graças a Carlos Bruno, o chef pasteleiro que veio de Portugal, única e exclusivamente para integrar este projecto. Para Natacha a sua presença no Dubai é uma mais valia. As manifestações sonoras associadas ao prazer dos clientes em cada trinca de doçaria portuguesa são a prova do seu sucesso.

O Alma já ganhou o coração de Sul Africanos, Indianos e Ingleses. A comunidade local vai aos poucos sendo conquistada e tem especial predileção pelo pão e caldo-verde. Os bolos com mais saída são o Bolo de Arroz, o Guardanapo e o Palmier. Mas é o Pastel de Nata que faz as honras à casa – “As pessoas apaixonam-se pelo Pastel de Nata”.

Para o acompanhar não podia faltar o melhor café. No Alma, tudo é pensado ao pormenor com foco máximo na qualidade dos produtos: os mais frescos, caseiros, sem corantes nem conservantes. Como barista profissional, Natacha não podia deixar o café ao acaso e trabalha com uma empresa que o torra a cada 15 dias.

Para além de um sonho realizado, este espaço é para Natacha o motor de um orgulho maior – ser portuguesa e dar a conhecer ao mundo o que é realmente português. “Dá-me imenso gozo ver e ouvir as pessoas a comer um Pastel de Nata. Há sempre um som de prazer e ainda não houve uma pessoa que não gostasse”.

E, se à porta humildemente bate alguém, seja português ou estrangeiro, é para se sentar à mesa co´a gente. Bem-vindos a esta Casa Portuguesa no Dubai.

Alma 560 Café Dubai

Fotos por Natacha Matos

Maria Bonifácio Lopes

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