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“Gili Paradise” | Indonesia #3

“Gili Paradise” | Indonésia #3

As ilhas Gili são sinónimo de Hakuna Matata. O sítio onde mais vi em vigor o refrão da música de Bob Marley “don´t worry about a thing.” Não há vida mais despreocupada que aquela que ali se vive. Tão despreocupada ao ponto de não nos preocupar minimamente o facto de haver um alerta amarelo de tsunami nas ilhas Solomon, não muito longe dali, dado um pequeno sismo, pouco badalado nas notícias. Soubemos de tal facto através de uma mensagem facebookiana da minha mãe que, preocupada, perguntava se havia risco de ser consumida por um Adamastor índico. As notícias eram pouco esclarecedoras. O alerta amarelo ficou sem efeito, soubemos mais tarde. Não incluía o raio vigente para catástrofe.

Este pequeno arquipélago é constituído por 3 ilhasGili Trawagan, Gili Meno e Gili Air. Gili Trawagan, conhecida também por “Gili T” é maior das três ilhas e a mais desenvolvida turisticamente. Gili Meno é a mais pequena e perfeita para quem procura um cenário balnear desértico. Gili Air é um meio-termo entre as duas. Apresenta algumas infraestruturas turísticas e de entretenimento mas mantém o seu “feitio” local.

Gili Beach Gili Beach

Gili Turtle Gili Beach

Chegámos mortas a Gili T. As mochilas tinham o dobro do peso, nuns ombros triplamente exaustos, num corpo desfalecido ao quadrado. Estávamos a pé desde as 2h da manhã: subimos e descemos um vulcão, horas numa carrinha de aragem pouco condicionada, mais uma num barco de assentos rijos.

À chegada locais abordavam-nos com sugestões de alojamento. Seguimos o primeiro que nos abordou. Um gollum de pele escura, narinas do diâmetro de um berlinde e uma trunfa desgrenhada e ressequida. Fomos para o interior da ilha por ruas lamacentas, lixo e azulejos partidos; galos depenados e gatos magricela mendigavam alimentos. O cansaço deu lugar à desconfiança. O hostel chamava-se Sunrise. Nada de luxos, tinha o essencial, wi-fi e um menu de substâncias pouco legais.

Welcome home!” – Disseram Edi e Izzu, os dois irmãos que tratavam do hostel.

Gili Hostel Sunrise Gili Hostel Sunrise

Gili Hostel Sunrise Adelaide Gili Rides

Abraçámos aquele sítio como uma casa. Faziam-nos o pequeno almoço, tocavam guitarra ao final do dia e sempre que chegávamos diziam, “Welcome home!” Perguntaram qual a dança típica de Portugal. Riram-se quando mostrei vídeos de ranchos folclóricos. Melhor ainda quando Edi e Izzu elevaram os braços no ar troteando passos de bailarico.

Nas Gili a escolaridade é até ao 4º ano. O essencial para aprender a ler, escrever e falar inglês. Para continuar frequentam-se escolas em Lombok, a península vizinha. Eddy e Izzu ficaram pelo 4º ano – o suficiente para ajudar a família no hostel, o seu sustento.

Gili Beaching Gili Beaching

Gili Beaching Gili Beaching

Nos restantes dias dourámos a pele ao sol, exercitámos o organismo com passeios na ilha. Os únicos meios de transporte são bicicletas e carroças puxadas por burros. Vimos o pôr-do-sol de cores mais espectaculares de sempre. As noites acabavam a ouvir reggae no bar habitual. Abençoámos a escolha de férias, mais que sensata de escape à civilização, sempre de chinelo no pé. “Ah bem, Hakuna Matata.”

Gili Sunset Gili Sunset

Gili Sunset Gili Sunset

Gili Sunset Gili Sunset

Gili Sunset Gili Sunset

Estreei os meus 28 anos no restaurante que se tornou o nosso pousio predileto para jantar. Ficámos fiéis à simpatia e ao sentimento de pertença desde o primeiro instante que nos sentámos nas mesas à beira-mar, iluminadas por tochas flamejantes. No final do jantar, a banda residente vinha ter connosco e ali ficávamos a cantarolar temas saudosistas entre goles e cigarros nostálgicos. Um casal inglês juntou-se. Há 2 anos tinham-se mudado para escapar ao caos londrino. Venderam o que tinham, compraram bungalows que alugam a turistas. Saudades? Voltar? Não constam no seu dicionário.

Gili Band Gili Band

Os parabéns foram cantados pela banda residente. Da cozinha surgiu um bolo de panquecas de banana e chocolate. Das mãos das minhas companheiras de viagem um colar a condizer com o meu vestido. De mim para mim o sentimento de promessa cumprida.

Partir era coisa que naquela altura não existia no nosso dicionário. Quando tirei a mochila do canto do quarto para arrumar a tralha, uma barata apareceu como que por geração espontânea. Há 2 semanas atrás talvez a espezinhasse com um certo prazer em ouvi-la estilhaçar-se por debaixo do meu chinelo. Abri a porta. Keep calm, thank you Bali!

Bali Zen Maro Bali Zen Maria Bali Zen Sofia

FIM

Maria Bonifácio Lopes

One Comment

  1. Nanucha Nanucha

    Que feeling tao bommm!! ❤️

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